Agora eu vou reformular as coisas para bancar o descolado...
Que personagem de que livro você gostaria de ser?
Mandrake, personagem de "A Grande Arte" e de mais uma penca de livros e contos de Rubem Fonseca.
Sua "cena" favorita de um livro?
Cem Anos de Solidão. Quando Aureliano Buendia está para ser fuzilado e seu irmão José Arcadio invade o pátio do cemitério com uma espingarda.
Com qual personagem de livro você mais se identificou até hoje?Bertrand Marx de "Admirável Mundo Novo"
Em que momento de um livro você esteve prestes a joga-lo na parede e gritar "Nãããão!"?
Quando comecei a ler "Máquina de Pinball" de Clarah Averbuck (mas eu estava foleando em uma livraria).
Qual o último livro que adicionou algo à sua vida prática?
"A queda que as mulheres tem para os tolos", Machado de Assis
Nota: acabo de perceber que leio realmente muito pouco!
quarta-feira, junho 15, 2005
Só para não me taxarem de relapso...
...eu copiei esta corrente do e-Pístola (porque agora que eu faço jornalismo vou viver de chupar idéia dos outros!)
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
"A Grande Arte" do Rubem Fonseca. For sure, sire!
Já alguma vez ficaste perturbado por um personagem de ficção?
De literatura decente até que não... mas o Frodo do "Senhor dos Anéis", putaquilamerda! Aquele nanico bundão me deixou irritado!
O último livro que compraste?
"Os meios de comunicação como extensão do homem", Marshall Mc'luhan
Qual o último livro que leste?
Screw Jack, Hunter S. Thompson
Que livro estás a ler?
"Zero à esquerda", o único livro da Coleção Baderna que vale a pena.
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
"64 contos reunidos de Rubem Fonseca", "As Viagens de Gulliver", "A grande caçada aos tubarões", "Cão come cão" e "Como fazer amigos e influenciar pessoas"
A quem vais passar este testemunho (6 pessoas) e porquê?
Às seis pessoas que entram neste blog ainda... hehehe! O motivo pode ser gratidão... hehehe!
...eu copiei esta corrente do e-Pístola (porque agora que eu faço jornalismo vou viver de chupar idéia dos outros!)
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
"A Grande Arte" do Rubem Fonseca. For sure, sire!
Já alguma vez ficaste perturbado por um personagem de ficção?
De literatura decente até que não... mas o Frodo do "Senhor dos Anéis", putaquilamerda! Aquele nanico bundão me deixou irritado!
O último livro que compraste?
"Os meios de comunicação como extensão do homem", Marshall Mc'luhan
Qual o último livro que leste?
Screw Jack, Hunter S. Thompson
Que livro estás a ler?
"Zero à esquerda", o único livro da Coleção Baderna que vale a pena.
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
"64 contos reunidos de Rubem Fonseca", "As Viagens de Gulliver", "A grande caçada aos tubarões", "Cão come cão" e "Como fazer amigos e influenciar pessoas"
A quem vais passar este testemunho (6 pessoas) e porquê?
Às seis pessoas que entram neste blog ainda... hehehe! O motivo pode ser gratidão... hehehe!
domingo, janeiro 09, 2005
sexta-feira, dezembro 31, 2004
New Year's Eve
Pearl Jam - Rearviewmirror
I took a drive today
Time to emancipate
I guess it was the beatings made me wise
But I'm not about to give thanks, or apologize
I couldn't breathe, holdin' me down
Hand on my face, pushed to the ground
Enmity gauged, united by fear
S'pose to endure what I could not forgive...
I seem to look away
Wounds in the mirror waved
It wasn't my surface most defiled
Head at your feet, fool to your crown
Fist on my plate, swallowed it down
Enmity gauged, united by fear
Tried to endure what I could not forgive
Saw things
Clearer
Once you, were in my...Rearview mirror...
I gather speed from you fucking with me
Once and for all I'm far away
I hardly believe, finally the shades...are raised...hey...
Saw things so much clearer
Once you, once you...
Rearview mirror
Saw things so much clearer
Once you...oh yeah..
Pearl Jam - Rearviewmirror
I took a drive today
Time to emancipate
I guess it was the beatings made me wise
But I'm not about to give thanks, or apologize
I couldn't breathe, holdin' me down
Hand on my face, pushed to the ground
Enmity gauged, united by fear
S'pose to endure what I could not forgive...
I seem to look away
Wounds in the mirror waved
It wasn't my surface most defiled
Head at your feet, fool to your crown
Fist on my plate, swallowed it down
Enmity gauged, united by fear
Tried to endure what I could not forgive
Saw things
Clearer
Once you, were in my...Rearview mirror...
I gather speed from you fucking with me
Once and for all I'm far away
I hardly believe, finally the shades...are raised...hey...
Saw things so much clearer
Once you, once you...
Rearview mirror
Saw things so much clearer
Once you...oh yeah..
terça-feira, novembro 23, 2004
O que me assusta na TV brasileira
O que me assusta na TV brasileira não é a onda de baixaria que ronda muito mais os programas semanais que os já execrados programas de domingo...
O que me assusta na TV brasileira não é a figura patética de certos apresentadores de telejornal que se inflamam ao falarem da “situação indecente e vergonhosa” que se encontra o país...
O que me assusta na TV brasileira não é o já batido reality show e toda a perversão da instituição chamada “privacidade” que estes programas pregam de maneira subjetiva...
O que me assusta na TV brasileira não são as celebridades choronas todo o domingo no Faustão falando da difícil vida que levavam antes de serem famosas...
O que me assusta na TV brasileira é que alguém possa vir a público e dizer que seu intestino não funciona corretamente só para vender iogurte...
Isso me assusta!
O que me assusta na TV brasileira não é a onda de baixaria que ronda muito mais os programas semanais que os já execrados programas de domingo...
O que me assusta na TV brasileira não é a figura patética de certos apresentadores de telejornal que se inflamam ao falarem da “situação indecente e vergonhosa” que se encontra o país...
O que me assusta na TV brasileira não é o já batido reality show e toda a perversão da instituição chamada “privacidade” que estes programas pregam de maneira subjetiva...
O que me assusta na TV brasileira não são as celebridades choronas todo o domingo no Faustão falando da difícil vida que levavam antes de serem famosas...
O que me assusta na TV brasileira é que alguém possa vir a público e dizer que seu intestino não funciona corretamente só para vender iogurte...
Isso me assusta!
sexta-feira, novembro 12, 2004
Explicando o babaca
O babaca é um tipo de indivíduo meio que dotado de toda uma aura insuportável e repugnante. Encaixa-se nele uma série de adjetivos: imbecil, prepotente, estúpido, boçal e mais uma série a qual cita-la seria apenas um pretexto para tornar este texto (mais) prolixo. O que importa é que de alguma forma o babaca não parece ser digno de nossa compreensão e por isso mesmo deve ser rechaçado até o ponto que este tenha noção de sua insuportabilidade e se torne um ser humano mais agradável.
No entanto, essa prática é um tanto quanto inútil uma vez que se mostra como sendo uma típica atitude de se dar murro em ponta de faca. Ora, por que o babaca é como é? Porque ele não tem noção do quanto é babaca. Esse é o grande paradigma do babaca: se ele soubesse o quanto ele é insuportável ele faria algo para não o ser. No entanto, o babaca é um ser geralmente ou obtuso ou teimoso. O fato de ele ser babaca é imperceptível aos seus olhos, e quando ele o percebe faz questão de ignorar tal fato.
O babaca é um pobre sujeito que geralmente se molda a partir da imagem de um outro babaca. Moldar, aliás, é uma constante na vida de um babaca. Sua personalidade geralmente é moldada baseada em picuinhas (que geralmente ele chamará de “idiossincrasias”). Sua conduta geralmente é embasada em torno dessas peculiaridades fúteis. Vivesse o babaca em torno de suas picuinhas o mundo mal notaria seu potencial de incômodo, no entanto o babaca faz questão de panfletar por todo o mundo o seu modo de vida e muitas vezes o impõem aos outros julgando Deus e o mundo segundo suas “idiossincrasias”. Quantos babacas já não o encheram o saco por conta da música que você ouve, dos livros que você lê ou das coisas que você pensa? O babaca não se sente feliz com o direito comum a todos da discordância e da discrepância. De alguma forma ele se sente impelido a se colocar como o padrão humano e ai de quem discordar.
Por conta desse forte apego a alguma forma de identidade (ou de identificação), o babaca sente um gosto pela necessidade de um antagonista. Na mente do babaca, ele é o paladino justo e ícone de suas condutas e apegos. A partir deste dogma, o indivíduo que se mostrar de alguma forma oposto à sua posição é um inimigo em potencial. Qualquer coisa dita ou feita por este deverá ser cuidadosamente analisada e prontamente desqualificada por única e exclusivamente se mostrar como algo potencialmente ofensivo aos ideais defendidos pelo babaca.
Todo babaca é um tirano em potencial. Um ser que dita as regras e os costumes ao seu redor. Como todo tirano, o babaca tem um potencial de liderança. Como já vimos, o babaca se molda à imagem e semelhança de outro babaca. Temos então que os babacas se diferem entre si mediante uma hierarquia baseada em uma pretensa originalidade. Quanto mais próximo de algum tipo de babaca-mor, mais respeitado será o babaca. Esta cadeia de babacas só irá reforçar aquele paradigma intrínseco ao babaca com o qual começamos o texto. O babaca não reconhece sua babaquice por ser justificado por uma série de outros babacas e não a percebe por se encontrar rodeado por esta jihad babaca.
O que devemos fazer quanto a isso? Repreender o babaca é se igualar a ele, crer de alguma forma ser um referencial de conduta e convívio (como o babaca pensa). Odiar o babaca é de alguma forma assumir uma identificação com sua figura patética, é apenas se aproximar de sua babaquice dando-lhe atenção demais e não o ignorando como bem se deve. “Ele é apenas um babaca!” é algo que deveríamos repetir não como um mantra, mas como uma sentença rápida e funcional como um “Saúde!” dito para alguém que espirrou.
O babaca é um tipo de indivíduo meio que dotado de toda uma aura insuportável e repugnante. Encaixa-se nele uma série de adjetivos: imbecil, prepotente, estúpido, boçal e mais uma série a qual cita-la seria apenas um pretexto para tornar este texto (mais) prolixo. O que importa é que de alguma forma o babaca não parece ser digno de nossa compreensão e por isso mesmo deve ser rechaçado até o ponto que este tenha noção de sua insuportabilidade e se torne um ser humano mais agradável.
No entanto, essa prática é um tanto quanto inútil uma vez que se mostra como sendo uma típica atitude de se dar murro em ponta de faca. Ora, por que o babaca é como é? Porque ele não tem noção do quanto é babaca. Esse é o grande paradigma do babaca: se ele soubesse o quanto ele é insuportável ele faria algo para não o ser. No entanto, o babaca é um ser geralmente ou obtuso ou teimoso. O fato de ele ser babaca é imperceptível aos seus olhos, e quando ele o percebe faz questão de ignorar tal fato.
O babaca é um pobre sujeito que geralmente se molda a partir da imagem de um outro babaca. Moldar, aliás, é uma constante na vida de um babaca. Sua personalidade geralmente é moldada baseada em picuinhas (que geralmente ele chamará de “idiossincrasias”). Sua conduta geralmente é embasada em torno dessas peculiaridades fúteis. Vivesse o babaca em torno de suas picuinhas o mundo mal notaria seu potencial de incômodo, no entanto o babaca faz questão de panfletar por todo o mundo o seu modo de vida e muitas vezes o impõem aos outros julgando Deus e o mundo segundo suas “idiossincrasias”. Quantos babacas já não o encheram o saco por conta da música que você ouve, dos livros que você lê ou das coisas que você pensa? O babaca não se sente feliz com o direito comum a todos da discordância e da discrepância. De alguma forma ele se sente impelido a se colocar como o padrão humano e ai de quem discordar.
Por conta desse forte apego a alguma forma de identidade (ou de identificação), o babaca sente um gosto pela necessidade de um antagonista. Na mente do babaca, ele é o paladino justo e ícone de suas condutas e apegos. A partir deste dogma, o indivíduo que se mostrar de alguma forma oposto à sua posição é um inimigo em potencial. Qualquer coisa dita ou feita por este deverá ser cuidadosamente analisada e prontamente desqualificada por única e exclusivamente se mostrar como algo potencialmente ofensivo aos ideais defendidos pelo babaca.
Todo babaca é um tirano em potencial. Um ser que dita as regras e os costumes ao seu redor. Como todo tirano, o babaca tem um potencial de liderança. Como já vimos, o babaca se molda à imagem e semelhança de outro babaca. Temos então que os babacas se diferem entre si mediante uma hierarquia baseada em uma pretensa originalidade. Quanto mais próximo de algum tipo de babaca-mor, mais respeitado será o babaca. Esta cadeia de babacas só irá reforçar aquele paradigma intrínseco ao babaca com o qual começamos o texto. O babaca não reconhece sua babaquice por ser justificado por uma série de outros babacas e não a percebe por se encontrar rodeado por esta jihad babaca.
O que devemos fazer quanto a isso? Repreender o babaca é se igualar a ele, crer de alguma forma ser um referencial de conduta e convívio (como o babaca pensa). Odiar o babaca é de alguma forma assumir uma identificação com sua figura patética, é apenas se aproximar de sua babaquice dando-lhe atenção demais e não o ignorando como bem se deve. “Ele é apenas um babaca!” é algo que deveríamos repetir não como um mantra, mas como uma sentença rápida e funcional como um “Saúde!” dito para alguém que espirrou.
quinta-feira, novembro 04, 2004
A palavra de quem entende de política
"Esse foi um fim de semana frustrante no aspecto eleitoral!" - Lenira Oliveira, formanda de Ciência Política manifestando mais uma opinião cheia de embasamento e profundidade sobre as eleições em Goiânia e Estados Unidos
"Os Bush são tipo os Kennedys... só que do mal!" - Cleiton Dante, formando de Ciência Política
"Esse foi um fim de semana frustrante no aspecto eleitoral!" - Lenira Oliveira, formanda de Ciência Política manifestando mais uma opinião cheia de embasamento e profundidade sobre as eleições em Goiânia e Estados Unidos
"Os Bush são tipo os Kennedys... só que do mal!" - Cleiton Dante, formando de Ciência Política
terça-feira, outubro 26, 2004
Murphy e as viagens de ônibus
Uma viagem de ônibus a princípio é algo extremamente simples: colocar a(s) mala(s) no bagageiro, basta entregar o bilhete, entra no ônibus, sentar na poltrona e esperar chegar a seu destino (uma vez lá basta levantar da poltrona, sair do ônibus e pegar a bagagem). Uma tarefa que apesar de composta por várias etapas é bem simples (até uma criança devidamente acompanhada portando uma autorização dos pais e certidão de nascimento pode fazer isso). No entanto, como sabem os murphystas, a Lei de Murphy permeia todos os processos possíveis. Viajar de ônibus (assim como qualquer tarefa) não é algo tão simples.
A Lei de Murphy se manifesta nas viagens de ônibus seguindo estes principais postulados:
Postulados da Bagagem
A bagagem talvez é um ponto de grande influência de Murphy nas viagens de ônibus. Merecendo assim uma série de postulados.
"Sua bagagem sempre será a última a ser tirada do bagageiro."
"A probabilidade de se perder uma mala é diretamente proporcional ao valor do conteúdo dentro dela."
"Quanto mais frágil o conteúdo da sua mala, maior a probabilidade de uma mala extremamente pesada ser colocada em cima."
"Quanto mais visível a sua mala, maior será a probabilidade do carregador não pega-la logo de uma vez."
"Bagagens de mão colocadas na prateleira acima dos acentos são sumariamente esquecidas. Aquelas levadas na mão passam a viagem inteira incomodando de alguma forma."
Postulados dos acentos
O acento também é um aspecto onde a Lei de Murphy pode se manifestar de várias formas.
"A probabilidade de você se sentar em um acento com o mesmo número que a plataforma onde está o ônibus é de 1/n, tal que "n" é o número de acentos no ônibus. Uma vez sentado na poltrona com o mesmo número que a plataforma, a chance de alguém sentar no seu lugar por ter se confundido é de 100%."
"As janelas sempre estão ocupadas. Uma vez sentado no corredor a freqüência com que o sujeito da janela vai ao banheiro é a máxima possível."
"Quanto mais demorada a viagem, maior é a probabilidade de seu acento ser perto do banheiro."
"Seu acento nunca poderá ser posicionado de maneira agradável."
Postulados da Pessoa ao lado
"Uma vez que você tenha conseguido ficar com a janela, a pessoa ao seu lado sempre terá chegado primeiro e sempre estará em seu acento. Uma vez nesta situação ele sempre insistirá para ficar no acento da janela."
"O sujeito do seu lado sempre terá o oposto do seu gênio: quando você estiver bem humorado será um rabugento, quando você estiver mais reservado será um tagarela..."
"A quantidade de palavras emitidas pelo sujeito ao seu lado é inversamente proporcional ao seu interesse."
"A pessoa do seu lado NUNCA é uma daquelas modelos ninfomaníacas que têm taras por fazer sexo em veículos em movimentos que as cartas de revistas masculinas falam tanto."
Postulados da Pessoa atrás
"Quanto mais sono você tiver, mais o sujeito a trás de você implicará com seu acento reclinado."
"Quanto mais sono você tiver, mais estridente e irritante será a voz da pessoa atrás de você." (Nota pessoal: certa vez viajei 3 horas com uma menininha atrás de mim conversando com o próprio reflexo.)
Postulado do Banheiro
"A probabilidade de que você sinta necessidade de usar o banheiro é infinitamente maior na parte mais esburacada e/ou sinuosa da estrada."
Postulado do ar condicionado
"A eficácia do ar condicionado é proporcional à intensidade com que o sol bate no seu acento."
Postulados da "Gostosa"
A "gostosa" é uma mulher beleza estonteante e extremamente atraente. Em todo ônibus tem ao menos uma (ou alguma perto disso).
"A 'gostosa' nunca sentará ao seu lado. Ela sempre se sentará dentro do seu campo de visão, mas nunca ao seu lado."
"No caso excepcional da 'gostosa' sentar ao seu lado, haverão três possibilidades: ela dormirá a viagem inteira, ela não lhe dará a menor pelota ou ela tem namorado. Não necessariamente nesta mesma ordem, mas provavelmente de maneira simultânea." (Nota: Não vá acordar a moça para perturba-la com um papo mole e ordinário. )
Postulado do filme exibido na viagem
"Os filmes exibidos em viagens de ônibus são divididos em dois tipos: os que você já cansou de ver e os ruins."
Postulado do apoio para o braço
"Os apoios para o braço sempre são insuficientes para 2 (duas) pessoas. A chance do seu parceiro se apoderar dele é de 98% (ainda existe a chance de se viajar ao lado de um deficiente)."
Postulados do horário
"O horário sempre atrasa."
"Sempre que possível você irá viajar em um horário besta. Um horário claro para dormir e escuro para ler."
Uma viagem de ônibus a princípio é algo extremamente simples: colocar a(s) mala(s) no bagageiro, basta entregar o bilhete, entra no ônibus, sentar na poltrona e esperar chegar a seu destino (uma vez lá basta levantar da poltrona, sair do ônibus e pegar a bagagem). Uma tarefa que apesar de composta por várias etapas é bem simples (até uma criança devidamente acompanhada portando uma autorização dos pais e certidão de nascimento pode fazer isso). No entanto, como sabem os murphystas, a Lei de Murphy permeia todos os processos possíveis. Viajar de ônibus (assim como qualquer tarefa) não é algo tão simples.
A Lei de Murphy se manifesta nas viagens de ônibus seguindo estes principais postulados:
Postulados da Bagagem
A bagagem talvez é um ponto de grande influência de Murphy nas viagens de ônibus. Merecendo assim uma série de postulados.
"Sua bagagem sempre será a última a ser tirada do bagageiro."
"A probabilidade de se perder uma mala é diretamente proporcional ao valor do conteúdo dentro dela."
"Quanto mais frágil o conteúdo da sua mala, maior a probabilidade de uma mala extremamente pesada ser colocada em cima."
"Quanto mais visível a sua mala, maior será a probabilidade do carregador não pega-la logo de uma vez."
"Bagagens de mão colocadas na prateleira acima dos acentos são sumariamente esquecidas. Aquelas levadas na mão passam a viagem inteira incomodando de alguma forma."
Postulados dos acentos
O acento também é um aspecto onde a Lei de Murphy pode se manifestar de várias formas.
"A probabilidade de você se sentar em um acento com o mesmo número que a plataforma onde está o ônibus é de 1/n, tal que "n" é o número de acentos no ônibus. Uma vez sentado na poltrona com o mesmo número que a plataforma, a chance de alguém sentar no seu lugar por ter se confundido é de 100%."
"As janelas sempre estão ocupadas. Uma vez sentado no corredor a freqüência com que o sujeito da janela vai ao banheiro é a máxima possível."
"Quanto mais demorada a viagem, maior é a probabilidade de seu acento ser perto do banheiro."
"Seu acento nunca poderá ser posicionado de maneira agradável."
Postulados da Pessoa ao lado
"Uma vez que você tenha conseguido ficar com a janela, a pessoa ao seu lado sempre terá chegado primeiro e sempre estará em seu acento. Uma vez nesta situação ele sempre insistirá para ficar no acento da janela."
"O sujeito do seu lado sempre terá o oposto do seu gênio: quando você estiver bem humorado será um rabugento, quando você estiver mais reservado será um tagarela..."
"A quantidade de palavras emitidas pelo sujeito ao seu lado é inversamente proporcional ao seu interesse."
"A pessoa do seu lado NUNCA é uma daquelas modelos ninfomaníacas que têm taras por fazer sexo em veículos em movimentos que as cartas de revistas masculinas falam tanto."
Postulados da Pessoa atrás
"Quanto mais sono você tiver, mais o sujeito a trás de você implicará com seu acento reclinado."
"Quanto mais sono você tiver, mais estridente e irritante será a voz da pessoa atrás de você." (Nota pessoal: certa vez viajei 3 horas com uma menininha atrás de mim conversando com o próprio reflexo.)
Postulado do Banheiro
"A probabilidade de que você sinta necessidade de usar o banheiro é infinitamente maior na parte mais esburacada e/ou sinuosa da estrada."
Postulado do ar condicionado
"A eficácia do ar condicionado é proporcional à intensidade com que o sol bate no seu acento."
Postulados da "Gostosa"
A "gostosa" é uma mulher beleza estonteante e extremamente atraente. Em todo ônibus tem ao menos uma (ou alguma perto disso).
"A 'gostosa' nunca sentará ao seu lado. Ela sempre se sentará dentro do seu campo de visão, mas nunca ao seu lado."
"No caso excepcional da 'gostosa' sentar ao seu lado, haverão três possibilidades: ela dormirá a viagem inteira, ela não lhe dará a menor pelota ou ela tem namorado. Não necessariamente nesta mesma ordem, mas provavelmente de maneira simultânea." (Nota: Não vá acordar a moça para perturba-la com um papo mole e ordinário. )
Postulado do filme exibido na viagem
"Os filmes exibidos em viagens de ônibus são divididos em dois tipos: os que você já cansou de ver e os ruins."
Postulado do apoio para o braço
"Os apoios para o braço sempre são insuficientes para 2 (duas) pessoas. A chance do seu parceiro se apoderar dele é de 98% (ainda existe a chance de se viajar ao lado de um deficiente)."
Postulados do horário
"O horário sempre atrasa."
"Sempre que possível você irá viajar em um horário besta. Um horário claro para dormir e escuro para ler."
terça-feira, outubro 19, 2004
What if I want to spit the red pill?
Soundtrack: Smashing Pumpkins – Muzzle
Soundgarden – Like Suicide
Rolling Stones – Gimme Shelter
Pearl Jam - Satan's Bed
Queens of the Stone Age – Go with the flow
Por volta dessa mesma época há 2 anos eu estava criando este blog. A primeira versão do “Putz... Morri” (nome inspirado em uma piada auto-irônica) era feita em Dreamweaver, com uma diagramação tosca e com um layout que lembrava bastante as primeiras página pessoais do Geocities. O conteúdo: reflexões de um cara 20 anos que saíra do lugar onde foi criado (e de onde foi se sentir parte tarde demais para ser nostálgico) vivendo em uma república com amigos de infância (pré-adolescência na verdade...). Era um misto de diário com algumas crônicas que variavam entre uma alta indulgência patética (frutos de um temporário período de depressão) e um impulso pela sátira bruta. Uma série de problemas pessoais, junto com uma frustração vocacional e uma gorda porção de rock'n'roll serviram de inspiração para uma série de textos marcados por uma certa ingênuidade com uma dose mínima de introspecção. Naquela mesma época eu mantinha um caderno com o título de "This funny and wicked season I'm passing thru hell" onde eu escrevia alguns poemas. Por mera intuição porralouquistica eu resolvi queimar o caderno e apagar a primeira versão do blog... Daí a imprecisão da data de fundação do blog (e a subseqüente inexistência daqueles poemas).
A segunda fase do blog ainda tinha um tanto da primeira. A medida que o tempo passou eu fui afastando minha vida pessoal do conteúdo do blog e acrescendo de mais crônicas e mais ensaios. A proposta se tornou mais humorística e os textos um pouco melhor elaborados. Acabara de sair da física e mudar para a comunicação. Foi nesta época que eu fiz a série "Admirável mundo Underground" onde eu satirizei alguns tipos da cena alternativa. Naquela época meu tempo era dividido basicamente entre o blog e a banda que eu tinha na época.
Depois de um longo tempo sem escrever, resolvi elaborar um template mais cool e mudar o endereço para o blogspot. Isso aconteceu na mesma época em que eu e mais 3 amigas criamos o "Peçonha", um blog de "caráter crítico sarcástico" onde eu aprendi uma coisa muito importante: NÃO! Eu não sei trabalhar em grupo! Foi aí que os ensaios começaram a se tornar mais freqüentes, geralmente tratando sobre rock'n'roll, cinema e comunicação. Essa mudança se deu bastante por conta do meu contato na época com Edgar Morin, Umberto Eco e Ortega Y Gasset, e também pelo meu gosto pelo assunto "comunicação" em geral. No blog, eu produzia algo enquanto na faculdade eu era adestrado a apenas reproduzir os textos dos autores (eu acho que a universidade brasileira além de gagá está formando "eruditos apertadores de parafuso"). Por mais pretencioso e "acadêmico" que eu pareça, dúvido que exista alguma conclusão sensata nos meus textos. E se alguém me leva realmente a sério, pelo amor de Deus...-
Depois de mudar para o blogspot o blog passou a ter muitos lapsos de criação. Os motivos nem são tão plausíveis, mas o fato é que de alguma forma eu não consigo conciliar a faculdade (acrescida de alguns trabalhos como "crítico") com a produção para o blog. É realmente engraçado, mas eu passo um semestre ruminado toda a #%@& que me botam para copiar na faculdade para depois produzir alguma coisa nos momentos de folga. PERFEITO! Peguei as últimas férias para produzir uma série de 20 textos para manter o blog atualizado pelo menos de 2 em 2 semanas. Mas Murphy é onipotente, onipresente e onisciente e derramou toda a sua ira sobre o computador da minha irmã em Goiânia.
O futuro do "Putz... Morri" é tão incerto quanto o meu. Depois da temporada saindo do inferno descobri que o que me esperava depois da tempestade não era a bonanza, mas uma chuva chata que empata os planos de um final de semana. Durante o meu 3° ano e o período no cursinho (e o curto período em que eu "cursei" Redes de Computação no Cefet) tudo que eu fiz foi tentar sair de Goiânia de qualquer forma. Não que eu não goste de Goiânia (au contraire, mes amis), mas Goiânia é para mim a capital da comodidade. É o lugar onde eu sou amigo do rei e toda aquela coisa.
Por menos cômoda que seja minha vida em Brasília, toda vez que eu volto de um (ótimo) final de semana em Goiânia me vem um sentimento meio "vini, vidi, vici". Cheguei em Brasília e em poucos meses me adaptei ao lugar, fiz algunso dos meus melhores amigos e conheci pessoas interessantíssimas. Por mais tempo que eu ainda viva em Brasília, ela sempre vai me parecer uma mata virgem de concreto. Sempre há algo de novo e de estranho para se conhecer em Brasília. As pessoas daqui reclamam porque são muito... muito "sem problemas" (como diria um professor meu sobre mim)...
Fato: minha vida em Goiânia é muito mais "de boa" do que aqui. Lá eu não preciso de entrar no limite, nem ficar paranóico com conta, nem ficar me regrando, nem me conter na hora de comprar um livro. A cada dia que passa, a necessidade de um emprego remunerado se torna mais presente (Obrigado, pai! Continue perdulário... pretendo extirpar seus bens ainda!). Mas em Brasília eu fiz uma vida própria minha... minha vida aqui é muito mais minha. Minha casa, "minha" cama, meus amigos...
Eu e meus amigos daqui estivemos em Goiânia no último feriado prolongado. Saímos, levei-os à Praça do Sol onde eles ficaram impressionados com duas coisas: as garotas e o preço das coisas. Justamente a principal queixa de todo mundo quanto a Brasília. A minha tange muito mais a dinheiro do que a mulher... mas tange pacas.
"Você deve ficar pensando em voltar para cá todo final de semana que você vem, né?", perguntou meu amigo Daniel (o primeiro que eu fiz em Brasília). Pior que é verdade. Mas como Neo no primeiro Matrix, eu acho que não posso cuspir a pílula. Já entrei, não tem volta. Por melhor que seja voltar, eu nunca iria me perdoar. Nem que me descem a chave da cidade. Por mais tosca que seja minha situação em Brasília, eu digo ao povo que fico. É um osso duro de roer do qual eu não abro mão...
Soundtrack: Smashing Pumpkins – Muzzle
Soundgarden – Like Suicide
Rolling Stones – Gimme Shelter
Pearl Jam - Satan's Bed
Queens of the Stone Age – Go with the flow
Por volta dessa mesma época há 2 anos eu estava criando este blog. A primeira versão do “Putz... Morri” (nome inspirado em uma piada auto-irônica) era feita em Dreamweaver, com uma diagramação tosca e com um layout que lembrava bastante as primeiras página pessoais do Geocities. O conteúdo: reflexões de um cara 20 anos que saíra do lugar onde foi criado (e de onde foi se sentir parte tarde demais para ser nostálgico) vivendo em uma república com amigos de infância (pré-adolescência na verdade...). Era um misto de diário com algumas crônicas que variavam entre uma alta indulgência patética (frutos de um temporário período de depressão) e um impulso pela sátira bruta. Uma série de problemas pessoais, junto com uma frustração vocacional e uma gorda porção de rock'n'roll serviram de inspiração para uma série de textos marcados por uma certa ingênuidade com uma dose mínima de introspecção. Naquela mesma época eu mantinha um caderno com o título de "This funny and wicked season I'm passing thru hell" onde eu escrevia alguns poemas. Por mera intuição porralouquistica eu resolvi queimar o caderno e apagar a primeira versão do blog... Daí a imprecisão da data de fundação do blog (e a subseqüente inexistência daqueles poemas).
A segunda fase do blog ainda tinha um tanto da primeira. A medida que o tempo passou eu fui afastando minha vida pessoal do conteúdo do blog e acrescendo de mais crônicas e mais ensaios. A proposta se tornou mais humorística e os textos um pouco melhor elaborados. Acabara de sair da física e mudar para a comunicação. Foi nesta época que eu fiz a série "Admirável mundo Underground" onde eu satirizei alguns tipos da cena alternativa. Naquela época meu tempo era dividido basicamente entre o blog e a banda que eu tinha na época.
Depois de um longo tempo sem escrever, resolvi elaborar um template mais cool e mudar o endereço para o blogspot. Isso aconteceu na mesma época em que eu e mais 3 amigas criamos o "Peçonha", um blog de "caráter crítico sarcástico" onde eu aprendi uma coisa muito importante: NÃO! Eu não sei trabalhar em grupo! Foi aí que os ensaios começaram a se tornar mais freqüentes, geralmente tratando sobre rock'n'roll, cinema e comunicação. Essa mudança se deu bastante por conta do meu contato na época com Edgar Morin, Umberto Eco e Ortega Y Gasset, e também pelo meu gosto pelo assunto "comunicação" em geral. No blog, eu produzia algo enquanto na faculdade eu era adestrado a apenas reproduzir os textos dos autores (eu acho que a universidade brasileira além de gagá está formando "eruditos apertadores de parafuso"). Por mais pretencioso e "acadêmico" que eu pareça, dúvido que exista alguma conclusão sensata nos meus textos. E se alguém me leva realmente a sério, pelo amor de Deus...-
Depois de mudar para o blogspot o blog passou a ter muitos lapsos de criação. Os motivos nem são tão plausíveis, mas o fato é que de alguma forma eu não consigo conciliar a faculdade (acrescida de alguns trabalhos como "crítico") com a produção para o blog. É realmente engraçado, mas eu passo um semestre ruminado toda a #%@& que me botam para copiar na faculdade para depois produzir alguma coisa nos momentos de folga. PERFEITO! Peguei as últimas férias para produzir uma série de 20 textos para manter o blog atualizado pelo menos de 2 em 2 semanas. Mas Murphy é onipotente, onipresente e onisciente e derramou toda a sua ira sobre o computador da minha irmã em Goiânia.
O futuro do "Putz... Morri" é tão incerto quanto o meu. Depois da temporada saindo do inferno descobri que o que me esperava depois da tempestade não era a bonanza, mas uma chuva chata que empata os planos de um final de semana. Durante o meu 3° ano e o período no cursinho (e o curto período em que eu "cursei" Redes de Computação no Cefet) tudo que eu fiz foi tentar sair de Goiânia de qualquer forma. Não que eu não goste de Goiânia (au contraire, mes amis), mas Goiânia é para mim a capital da comodidade. É o lugar onde eu sou amigo do rei e toda aquela coisa.
Por menos cômoda que seja minha vida em Brasília, toda vez que eu volto de um (ótimo) final de semana em Goiânia me vem um sentimento meio "vini, vidi, vici". Cheguei em Brasília e em poucos meses me adaptei ao lugar, fiz algunso dos meus melhores amigos e conheci pessoas interessantíssimas. Por mais tempo que eu ainda viva em Brasília, ela sempre vai me parecer uma mata virgem de concreto. Sempre há algo de novo e de estranho para se conhecer em Brasília. As pessoas daqui reclamam porque são muito... muito "sem problemas" (como diria um professor meu sobre mim)...
Fato: minha vida em Goiânia é muito mais "de boa" do que aqui. Lá eu não preciso de entrar no limite, nem ficar paranóico com conta, nem ficar me regrando, nem me conter na hora de comprar um livro. A cada dia que passa, a necessidade de um emprego remunerado se torna mais presente (Obrigado, pai! Continue perdulário... pretendo extirpar seus bens ainda!). Mas em Brasília eu fiz uma vida própria minha... minha vida aqui é muito mais minha. Minha casa, "minha" cama, meus amigos...
Eu e meus amigos daqui estivemos em Goiânia no último feriado prolongado. Saímos, levei-os à Praça do Sol onde eles ficaram impressionados com duas coisas: as garotas e o preço das coisas. Justamente a principal queixa de todo mundo quanto a Brasília. A minha tange muito mais a dinheiro do que a mulher... mas tange pacas.
"Você deve ficar pensando em voltar para cá todo final de semana que você vem, né?", perguntou meu amigo Daniel (o primeiro que eu fiz em Brasília). Pior que é verdade. Mas como Neo no primeiro Matrix, eu acho que não posso cuspir a pílula. Já entrei, não tem volta. Por melhor que seja voltar, eu nunca iria me perdoar. Nem que me descem a chave da cidade. Por mais tosca que seja minha situação em Brasília, eu digo ao povo que fico. É um osso duro de roer do qual eu não abro mão...
sexta-feira, outubro 08, 2004
“Eu detesto a banda do meu amigo!”
Quem freqüenta o meio underground e tem um maior contato com bandas costuma ter amizades com músicos. É algo normal, algo que vai do conhecido até o “brother de fé” como com qualquer outro amigo (a não ser que você não seja uma groupie). No entanto, quando se é amigo de um músico muitas vezes você é visto como uma espécie de “aliado da banda”, uma espécie de fã automático.
A relação "você-amigo-banda do amigo" é bastante parecida com a relação você-amigo-namorada do amigo, mas com uma série de agravantes. O primeiro é que a namorada do cara pode ser osso duro de roer, mas o seu amigo não tem nada haver com isso. Em contrapartida, se a banda do seu amigo é uma mala sonora ele certamente tem uma porcentagem de culpa nisso. O segundo é que seu amigo geralmente não te chama para você assisti-lo namorando (a não ser em certos casos especiais). Já com a banda, ele faz questão que você vá e fique na frente do palco (isso quando ele não dedica uma música a você ou tira com a sua cara em pleno show). O terceiro é que você deve receber a banda do seu amigo com um sorriso na cara de orelha a orelha (no caso da namorada do seu amigo isso não é muito aconselhável).
Você não ir com a cara da namorada do seu amigo é uma coisa. É só você evitar a presença dela e se utilizar de uma série de artimanhas da diplomacia e da cortesia para deixar isso de alguma forma oculto. Não gostar da banda do seu amigo já é um calvário. Você se sentir obrigado a ir aos shows, a comprar o CD, a divulgar e na pior das hipóteses você ser convidado para escrever o release da capa. Isso tudo é um suplício quando se acha que a banda do seu amigo é o maior xabú. No entanto, o pior é o castigo constante da pergunta constrangedora: “O que você acha da minha banda?”
O que responder?
“Olha, eu não gosto da sua banda... mas eu gosto tanto de você como amigo!”. Isso costuma ser uma poderosa saída das garotas sobre seus amigos mais esperançosos, mas se lembre que por trás de cada um desses caras existe uma aura de frustração de se dar dó. É uma resposta tão boa quanto “Isso acontece com todo mundo!” e “Pelo menos você está com saúde!”
“Pô, é um som diferente pá e tal... meio setentista, meio anos 80, com um pouco de punk e de folk!”. Esse tipo de resposta vai depender basicamente de duas coisas de você: conhecimento musical e picaretagem. Utilize o máximo de nomes de bandas obscuras, cite estilos a granel e invente o máximo possível. Mas em hipótese alguma utilize as palavras “BOA” ou “RUIM”. Dependendo do grau de convencimento do seu amigo você pode comparecer a qualquer tribunal (ou começar a escrever críticas musicais).
“MASSA!”. Uma opinião concisa e direta. Diga isso uma única vez e coloque um cigarro e uma cerveja na boca para disfarçar essa sua cara-de-pau muito bem envernizada. Enquanto bebe a sua cerveja e fuma o seu cigarro trate de ouvir do seu amigo todos os detalhes da experiência que ele teve e reze (mas reze muito) para ele não te perguntar nada mais comprometedor do que “A guitarra estava afinada?”. Dependendo do tanto de óleo de peroba que reveste o seu rosto faça o seguinte: qualquer defeito que seja apontado pelo seu amigo confirme dizendo “Mas isso foi por conta do cara da mesa de som, né?”.
“Sua banda é uma merda, desgraça! Quando você vai perceber a porcaria que a sua banda toca. No dicionário Aurélio em CD para cegos, eles poderiam utilizar uma gravação de você tocando para ilustrar o verbete “PÉ-NO-SACO!". Bem, esta é uma saída nada diplomática, educada ou polida. No entanto, quando o seu amigo derramou vinho no seu quarto, ou quando ele fez aquele moicano horrível ou até quando ele furou com você naquele trabalho de escola (ou de faculdade) você respondeu algo bem parecido. É claro que isso magoará seu amigo, mas certamente ele terá você como alguém sincero (apesar de ser um belo de um esculachado). A eficácia dessa resposta é bem questionável, seu amigo pode muito bem começar a fazer "doce" te chamando para um show da tal banda e falando logo depois "Ah! Mas você não gosta!".
Essas são saídas que variam dependendo do gosto do freguês. Seu amigo provavelmente vai aceitar que você não goste do som dele, mas ele nunca irá entender. Você continuará indo aos shows em nome da sua amizade e toda a vez que seu amigo vir te perguntar o que você achou certamente você irá ter um certo molejo na hora de tratar do assunto. No caso de você ter tido alguma vez uma banda com esse amigo NUNCA (mas bem NUNCA mesmo) compare a antiga banda de você em detrimento da atual dele. Isso pode render um enorme bate-boca onde ele irá enumerar quantos ensaios você faltou da outra banda e toda a responsabilidade que você tem sobre o fim daquele que pode um dia ser o novo Led Zeppelin...
PS.: Este é um texto em homenagem ao The Zeroes, uma das minhas bandas-de-amigos favoritas e que fará seu último show nesta sexta dia 08/10. Infelizmente não poderei estar em Goiânia, o que eu sinceramente lamento muito!
Quem freqüenta o meio underground e tem um maior contato com bandas costuma ter amizades com músicos. É algo normal, algo que vai do conhecido até o “brother de fé” como com qualquer outro amigo (a não ser que você não seja uma groupie). No entanto, quando se é amigo de um músico muitas vezes você é visto como uma espécie de “aliado da banda”, uma espécie de fã automático.
A relação "você-amigo-banda do amigo" é bastante parecida com a relação você-amigo-namorada do amigo, mas com uma série de agravantes. O primeiro é que a namorada do cara pode ser osso duro de roer, mas o seu amigo não tem nada haver com isso. Em contrapartida, se a banda do seu amigo é uma mala sonora ele certamente tem uma porcentagem de culpa nisso. O segundo é que seu amigo geralmente não te chama para você assisti-lo namorando (a não ser em certos casos especiais). Já com a banda, ele faz questão que você vá e fique na frente do palco (isso quando ele não dedica uma música a você ou tira com a sua cara em pleno show). O terceiro é que você deve receber a banda do seu amigo com um sorriso na cara de orelha a orelha (no caso da namorada do seu amigo isso não é muito aconselhável).
Você não ir com a cara da namorada do seu amigo é uma coisa. É só você evitar a presença dela e se utilizar de uma série de artimanhas da diplomacia e da cortesia para deixar isso de alguma forma oculto. Não gostar da banda do seu amigo já é um calvário. Você se sentir obrigado a ir aos shows, a comprar o CD, a divulgar e na pior das hipóteses você ser convidado para escrever o release da capa. Isso tudo é um suplício quando se acha que a banda do seu amigo é o maior xabú. No entanto, o pior é o castigo constante da pergunta constrangedora: “O que você acha da minha banda?”
O que responder?
“Olha, eu não gosto da sua banda... mas eu gosto tanto de você como amigo!”. Isso costuma ser uma poderosa saída das garotas sobre seus amigos mais esperançosos, mas se lembre que por trás de cada um desses caras existe uma aura de frustração de se dar dó. É uma resposta tão boa quanto “Isso acontece com todo mundo!” e “Pelo menos você está com saúde!”
“Pô, é um som diferente pá e tal... meio setentista, meio anos 80, com um pouco de punk e de folk!”. Esse tipo de resposta vai depender basicamente de duas coisas de você: conhecimento musical e picaretagem. Utilize o máximo de nomes de bandas obscuras, cite estilos a granel e invente o máximo possível. Mas em hipótese alguma utilize as palavras “BOA” ou “RUIM”. Dependendo do grau de convencimento do seu amigo você pode comparecer a qualquer tribunal (ou começar a escrever críticas musicais).
“MASSA!”. Uma opinião concisa e direta. Diga isso uma única vez e coloque um cigarro e uma cerveja na boca para disfarçar essa sua cara-de-pau muito bem envernizada. Enquanto bebe a sua cerveja e fuma o seu cigarro trate de ouvir do seu amigo todos os detalhes da experiência que ele teve e reze (mas reze muito) para ele não te perguntar nada mais comprometedor do que “A guitarra estava afinada?”. Dependendo do tanto de óleo de peroba que reveste o seu rosto faça o seguinte: qualquer defeito que seja apontado pelo seu amigo confirme dizendo “Mas isso foi por conta do cara da mesa de som, né?”.
“Sua banda é uma merda, desgraça! Quando você vai perceber a porcaria que a sua banda toca. No dicionário Aurélio em CD para cegos, eles poderiam utilizar uma gravação de você tocando para ilustrar o verbete “PÉ-NO-SACO!". Bem, esta é uma saída nada diplomática, educada ou polida. No entanto, quando o seu amigo derramou vinho no seu quarto, ou quando ele fez aquele moicano horrível ou até quando ele furou com você naquele trabalho de escola (ou de faculdade) você respondeu algo bem parecido. É claro que isso magoará seu amigo, mas certamente ele terá você como alguém sincero (apesar de ser um belo de um esculachado). A eficácia dessa resposta é bem questionável, seu amigo pode muito bem começar a fazer "doce" te chamando para um show da tal banda e falando logo depois "Ah! Mas você não gosta!".
Essas são saídas que variam dependendo do gosto do freguês. Seu amigo provavelmente vai aceitar que você não goste do som dele, mas ele nunca irá entender. Você continuará indo aos shows em nome da sua amizade e toda a vez que seu amigo vir te perguntar o que você achou certamente você irá ter um certo molejo na hora de tratar do assunto. No caso de você ter tido alguma vez uma banda com esse amigo NUNCA (mas bem NUNCA mesmo) compare a antiga banda de você em detrimento da atual dele. Isso pode render um enorme bate-boca onde ele irá enumerar quantos ensaios você faltou da outra banda e toda a responsabilidade que você tem sobre o fim daquele que pode um dia ser o novo Led Zeppelin...
PS.: Este é um texto em homenagem ao The Zeroes, uma das minhas bandas-de-amigos favoritas e que fará seu último show nesta sexta dia 08/10. Infelizmente não poderei estar em Goiânia, o que eu sinceramente lamento muito!
sexta-feira, setembro 17, 2004
sábado, setembro 04, 2004
A Cruzada das crianças
É muito comum se falar em uma dicotomia entre o mainstream e o underground. A grosso modo o mainstream é o “nível cultural” vigente nos mass media enquanto o underground é um meio cultural mais afastado da grande massa. Em outros termos (e também a grosso modo) no mainstream as obras (bem como os artistas) têm um caráter maior de produto enquanto no underground as coisas se dão de uma forma um pouco mais artística e de certa forma mais natural.
Esta maior espontaneidade abre preceito para uma outra forma de ver a relação entre underground e mainstream: uma visão estratificada dos meios culturais. Muitos vêem o underground como sendo o ponto médio entre o mainstream (ou a própria cultura de massa) e a cultura erudita. Esta visão de certa forma deriva (intencionalmente ou não) de uma teoria acerca dos níveis de cultura elaborada por Donald McDowell (crítico de cinema e literatura americano). McDowell fala do “lowcult, midcult e highcult”, que seriam os níveis de cultura estratificados um sobre o outro com uma grande carga de valor que de certa forma valoriza a erudição e a intelectualidade. Não há como negar que são nesses quesitos que o mainstream é mais questionado.
Não também há como negar a plasticidade e a reprodutividade no mainstream. Tudo parece ser estatisticamente elaborado e montado de forma a fazer sucesso (leia-se “vender”). O nível de complexidade no uso das linguagens no mainstream é praticamente basal para melhor assimilação do público (ou consumidores). Existe o estudo de um conceito para uma banda ou artista, uma chave de onde saíram a identidade visual e sonora (e em muitos casos até a “personalidade” do artista frente à mídia). O artista se torna aí mais uma etapa no processo de elaboração da obra, um operário na linha de montagem que como tal deve possuir o nível de instrução ideal para executar sua função. Veja, por exemplo, o programa Fama: temos lá pessoas com vozes afinadas, estudadas e trabalhadas, mas falta personalidade à voz delas (pessoalmente acho que o programa não passa de um curso profissionalizante televisionado). Os “artistas” do Fama nos dão uma noção do que é o mainstream: tudo deve ser asséptico, padronizado e sem identidade.
Pudemos ver que é bem fácil se delimitar o mainstream. É uma área com características quanto à criação e a natureza da criação bastante próprias. Mas quando tentamos delinear o underground encontramos dilemas aí. O que é underground? Se vender é mainstream, se não vender é underground? E se for de alguma forma “fabricado”, é mainstream? Talvez as linhas que delimitam o underground sejam muito mais ligadas ao campo da identidade do que qualquer outro. Vemos que os mais diversos estilos e formas de expressão no underground possuem como elemento coesivo o fato de serem partes integrantes do underground.
De certa forma, ao meu ver, é este caráter de identidade que dá origem à visão dicotômica entre underground e mainstream. O problema é que o “eu sou do underground” se torna um a priori para o fruidor (ouvinte ou espectador) ao entrar em contato com qualquer peça. A partir daí a sua experiência não se encontra puramente fundada na sensibilidade, mas carregada de uma questão de identidade. De certa forma, abrir-se para um filme hollywoodiano ou uma música pop se torna distanciar-se do underground, corromper-se até. Esta questão de identidade ainda forma preconceitos quanto a estilos e quanto ao mero fato de algo fazer parte do conhecimento comum. O que é mainstream se torna ruim e ponto...
Ruim, por quê? Por ser mal feito? Não acho que dispondo de todo o dinheiro que possui a indústria cultural vá se privar de lançar mão dos melhores produtores, técnicos de som, produtores gráficos e todo um staff de primeira linha a fim de poder assegurar um nível de qualidade invejável. Por ser “insignificante” ou “vazio”? Quantos artistas do meio underground não possuem influências e estilos originários do mainstream. Quantas músicas e filmes tipicamente mainstream não ilustraram e “emblematizaram” um fato ou um personagem.
O ato de se relevar o mainstream a um status de “não-cultura” é um ato que encarna bem um maniqueísmo que constrói todo um fascismo cultural que fecha os olhos do público para um micro-universo mesquinho e aristocrático. Não falo em cultura para as massas ou em cultura das massas, falo em não se colocar acima da massa apenas por não estar consumindo da mesma pasta que eles.
No mais, lembre-se que por mais “intelectualizado” que você seja sempre haverá alguém “acima”. Sinceramente, a maioria das pessoas que adotam uma visão hierárquica da fruição estão fadadas a uma série de frustrações a medida que estes “galgarem degraus na escada cultural”. Assim sendo, como negar que o que este tinha como teto não está ultrapassado frente ao que este tem acesso hoje? Neste mesmo raciocínio, estaria este desconsiderando toda a base que ele já tinha em detrimento do que ele tem como uma “fruição de elite” no seu atual estado de fruidor? Um prozac ajuda!
É muito comum se falar em uma dicotomia entre o mainstream e o underground. A grosso modo o mainstream é o “nível cultural” vigente nos mass media enquanto o underground é um meio cultural mais afastado da grande massa. Em outros termos (e também a grosso modo) no mainstream as obras (bem como os artistas) têm um caráter maior de produto enquanto no underground as coisas se dão de uma forma um pouco mais artística e de certa forma mais natural.
Esta maior espontaneidade abre preceito para uma outra forma de ver a relação entre underground e mainstream: uma visão estratificada dos meios culturais. Muitos vêem o underground como sendo o ponto médio entre o mainstream (ou a própria cultura de massa) e a cultura erudita. Esta visão de certa forma deriva (intencionalmente ou não) de uma teoria acerca dos níveis de cultura elaborada por Donald McDowell (crítico de cinema e literatura americano). McDowell fala do “lowcult, midcult e highcult”, que seriam os níveis de cultura estratificados um sobre o outro com uma grande carga de valor que de certa forma valoriza a erudição e a intelectualidade. Não há como negar que são nesses quesitos que o mainstream é mais questionado.
Não também há como negar a plasticidade e a reprodutividade no mainstream. Tudo parece ser estatisticamente elaborado e montado de forma a fazer sucesso (leia-se “vender”). O nível de complexidade no uso das linguagens no mainstream é praticamente basal para melhor assimilação do público (ou consumidores). Existe o estudo de um conceito para uma banda ou artista, uma chave de onde saíram a identidade visual e sonora (e em muitos casos até a “personalidade” do artista frente à mídia). O artista se torna aí mais uma etapa no processo de elaboração da obra, um operário na linha de montagem que como tal deve possuir o nível de instrução ideal para executar sua função. Veja, por exemplo, o programa Fama: temos lá pessoas com vozes afinadas, estudadas e trabalhadas, mas falta personalidade à voz delas (pessoalmente acho que o programa não passa de um curso profissionalizante televisionado). Os “artistas” do Fama nos dão uma noção do que é o mainstream: tudo deve ser asséptico, padronizado e sem identidade.
Pudemos ver que é bem fácil se delimitar o mainstream. É uma área com características quanto à criação e a natureza da criação bastante próprias. Mas quando tentamos delinear o underground encontramos dilemas aí. O que é underground? Se vender é mainstream, se não vender é underground? E se for de alguma forma “fabricado”, é mainstream? Talvez as linhas que delimitam o underground sejam muito mais ligadas ao campo da identidade do que qualquer outro. Vemos que os mais diversos estilos e formas de expressão no underground possuem como elemento coesivo o fato de serem partes integrantes do underground.
De certa forma, ao meu ver, é este caráter de identidade que dá origem à visão dicotômica entre underground e mainstream. O problema é que o “eu sou do underground” se torna um a priori para o fruidor (ouvinte ou espectador) ao entrar em contato com qualquer peça. A partir daí a sua experiência não se encontra puramente fundada na sensibilidade, mas carregada de uma questão de identidade. De certa forma, abrir-se para um filme hollywoodiano ou uma música pop se torna distanciar-se do underground, corromper-se até. Esta questão de identidade ainda forma preconceitos quanto a estilos e quanto ao mero fato de algo fazer parte do conhecimento comum. O que é mainstream se torna ruim e ponto...
Ruim, por quê? Por ser mal feito? Não acho que dispondo de todo o dinheiro que possui a indústria cultural vá se privar de lançar mão dos melhores produtores, técnicos de som, produtores gráficos e todo um staff de primeira linha a fim de poder assegurar um nível de qualidade invejável. Por ser “insignificante” ou “vazio”? Quantos artistas do meio underground não possuem influências e estilos originários do mainstream. Quantas músicas e filmes tipicamente mainstream não ilustraram e “emblematizaram” um fato ou um personagem.
O ato de se relevar o mainstream a um status de “não-cultura” é um ato que encarna bem um maniqueísmo que constrói todo um fascismo cultural que fecha os olhos do público para um micro-universo mesquinho e aristocrático. Não falo em cultura para as massas ou em cultura das massas, falo em não se colocar acima da massa apenas por não estar consumindo da mesma pasta que eles.
No mais, lembre-se que por mais “intelectualizado” que você seja sempre haverá alguém “acima”. Sinceramente, a maioria das pessoas que adotam uma visão hierárquica da fruição estão fadadas a uma série de frustrações a medida que estes “galgarem degraus na escada cultural”. Assim sendo, como negar que o que este tinha como teto não está ultrapassado frente ao que este tem acesso hoje? Neste mesmo raciocínio, estaria este desconsiderando toda a base que ele já tinha em detrimento do que ele tem como uma “fruição de elite” no seu atual estado de fruidor? Um prozac ajuda!
quarta-feira, setembro 01, 2004
segunda-feira, agosto 16, 2004
Os Churrascos do Tio Paulão
Aquele era o meu Tio Paulão! Todo churrasco de família ta lá o Tio Paulão: camiseta regata, “shorts” e latinha de Skol na mão. Ele vinha e abraçava seus sobrinhos.
“Eita! Homão grande esse aqui, hein! Terror das ‘menininha’!”, e desferia dois tapões nas costas da gente. “Firme! Firme!”, dava uma risada arranhada pelo Marlboro seguida de um gole na lata de cerveja ou uma beliscada na picanha recém-tirada do fogo. Sentávamos todos à mesa. Na mesa a conversa geralmente começava com algum assunto de família. “Não-sei-quem engravidou, não-sei-quem vai casar, não-sei-quem tá doente... “
Mas em algum dado instante do falatório alguém fazia um gancho para algum assunto fora da família, geralmente “a-capa-da-Veja”, “a-manchete-da-Folha” ou “a-notícia-do-Jornal-Nacional”. Era nessa hora que Tio Paulão nos deliciava com suas palavras. Tio Paulão era “doutor” e sabia das coisas. De aritmética a propulsão de foguetes estava gabaritado para opinar veementemente sobre tudo! “Esse seu professor da faculdade tá errado! Esse povo de universidade não sabe nada da vida!”. Por mais errôneos ou insensatos que parecessem ser seus argumentos, Tio Paulão está sempre certo porque afinal você está na casa do Tio Paulão que foi comprada com o dinheiro que ele suou para conseguir na firma que ele tem!
A firma! A firma era mais que o “ganha-pão” do Tio Paulão, era quase a epifania que ele teve para usar como alegoria em 70% das discussões que ocorriam nos churrascos em sua casa. “Essa coisa do orçamento, veja bem: eu tenho uma empresa e ela tem um orçamento...”, e dá-lhe o Tio Paulão a solucionar em dois cigarros e 3 latas de cerveja o problema da dívida externa brasileira ou a questão diplomática entre o Mercosul e a União Européia.
Pobre Tio Paulão! Tinha seus churrascos como abolidos por meus primos mais “moderninhos” como ele dizia. “Eu não sou racista! Eu nunca bati em preto!”... “Eu não sou machista! Eu nunca bati na Solange!”... “Homo o quê? Que é isso? Se o sujeito quer ser viado, que seja viado! Mas com as nega dele!”. Era o que Tio Paulão falava quando ouvia o mínimo sinal de protesto. “É por isso que o mundo tá essa pouca vergonha! Porque ninguém respeita ninguém mais! Tá todo mundo sem prumo na vida!”
Tio Paulão tava sempre certo! “Bandido tem que morrer!”, “Essa coisa de mulher ficar abrindo asinha falando que dá na TV não ta certo! Mulher tem que saber se portar!” e (a melhor de todas) “Essa história de cigarro, cigarro... Catzo! Eu fumo desde os quinze anos e nunca tive problema! É burrice essa história de cigarro faz mal! Esses cientista fazem as pesquisa tudo errada, tudo tendenciosa! (falava Tio Paulão, esbanjando liberdade poética abolindo o plural)”. Essa última era a melhor de uma forma triste: era a única que eu teimava (da maneira mais branda possível) com meu tio. Gostava dele e foi muito ruim vê-lo sendo enterrado por conta de um infarto. Tio Paulão morreu e os churrascos na sua casa não são os mesmos. Paulinho não fuma, bebe Kronenbier, só gosta de carne bem passada e (principalmente) detesta discussões.
Tio Paulão se foi, mas me encontro com ele todos os dias. “Ei guri! Olha aqui! Olha esse safado aqui: foi pego roubando a casa de uma família! Ainda bem que o pessoal da “dê-pê” pegou o danado pulando o muro! O pessoal da “puliça” já deu um trato nele olha aqui!”, “Dá uma olha nisso aqui, filho! O sem-vergonha fez a menina de boba! Iludiu a menina! Se aproveitou dela! Engravidou ela e agora não quer assumir a criança!” e “Mas é uma sacanagem! A dona dá pra todo mundo... é uma safada... e agora quer que o pobre coitado pague a pensão do filho que ela nem sabe se é dele!”. Lá estão os novos Tios Paulões. Vestidos de camisa social e gravata (uniforme da firma do Tio Paulão), a nova geração propaga pela televisão “a vida como ela realmente é”... assim como meu Tio Paulão gostaria de poder fazer!
Certamente Tio Paulão era o típico reacionário casca-grossa (por mais que dissesse que era contra a ditadura) que se encontra em muitos churrascos, mesas de jantar ou salas de escritório. Um tipo comum, fruto de uma criação X e de uma educação X que não é mérito nosso julgarmos (lembre-se da máxima da tolerância?).
Mas a nova geração, não há como negar, pega pesado saindo da sua sala de jantar para a sala de jantar de um cidadão que sofre de uma carência de valores e de identificação. Pegam pesado também com um arsenal persuasivo que vão da fabricação de uma figura paternalista que às vezes beira o caudilho (não é de se espantar que muitos Tios Paulões saiam a vereador, deputado ou prefeito) até a encenação, alusão ou até difusão de imagens ou fatos chocantes e escabrosos. Esses programas são um misto de churrasco de família e show de aberrações!
O que fazer? Regulamentar uma espécie de censura e controlar o conteúdo desses programas? A palavra “censura”, mesmo em suas formas mais amenas, é motivo de pânico e alvoroço. Seria muito fácil (e legitimo até) expor os entusiastas de uma censura a esse tipo de programas advogando lugares-comuns (o que aliás está bastante presente no discurso dos Tios Paulões). De uma maneira torpe (e ao mesmo tempo singela até) os Tios Paulões utilizariam a máxima da tolerância. E estariam certos: coloca-los no banco dos réus é tomar o lado diametralmente oposto da corda, o lugar dos politicamente corretos fundamentalistas...
Aquele era o meu Tio Paulão! Todo churrasco de família ta lá o Tio Paulão: camiseta regata, “shorts” e latinha de Skol na mão. Ele vinha e abraçava seus sobrinhos.
“Eita! Homão grande esse aqui, hein! Terror das ‘menininha’!”, e desferia dois tapões nas costas da gente. “Firme! Firme!”, dava uma risada arranhada pelo Marlboro seguida de um gole na lata de cerveja ou uma beliscada na picanha recém-tirada do fogo. Sentávamos todos à mesa. Na mesa a conversa geralmente começava com algum assunto de família. “Não-sei-quem engravidou, não-sei-quem vai casar, não-sei-quem tá doente... “
Mas em algum dado instante do falatório alguém fazia um gancho para algum assunto fora da família, geralmente “a-capa-da-Veja”, “a-manchete-da-Folha” ou “a-notícia-do-Jornal-Nacional”. Era nessa hora que Tio Paulão nos deliciava com suas palavras. Tio Paulão era “doutor” e sabia das coisas. De aritmética a propulsão de foguetes estava gabaritado para opinar veementemente sobre tudo! “Esse seu professor da faculdade tá errado! Esse povo de universidade não sabe nada da vida!”. Por mais errôneos ou insensatos que parecessem ser seus argumentos, Tio Paulão está sempre certo porque afinal você está na casa do Tio Paulão que foi comprada com o dinheiro que ele suou para conseguir na firma que ele tem!
A firma! A firma era mais que o “ganha-pão” do Tio Paulão, era quase a epifania que ele teve para usar como alegoria em 70% das discussões que ocorriam nos churrascos em sua casa. “Essa coisa do orçamento, veja bem: eu tenho uma empresa e ela tem um orçamento...”, e dá-lhe o Tio Paulão a solucionar em dois cigarros e 3 latas de cerveja o problema da dívida externa brasileira ou a questão diplomática entre o Mercosul e a União Européia.
Pobre Tio Paulão! Tinha seus churrascos como abolidos por meus primos mais “moderninhos” como ele dizia. “Eu não sou racista! Eu nunca bati em preto!”... “Eu não sou machista! Eu nunca bati na Solange!”... “Homo o quê? Que é isso? Se o sujeito quer ser viado, que seja viado! Mas com as nega dele!”. Era o que Tio Paulão falava quando ouvia o mínimo sinal de protesto. “É por isso que o mundo tá essa pouca vergonha! Porque ninguém respeita ninguém mais! Tá todo mundo sem prumo na vida!”
Tio Paulão tava sempre certo! “Bandido tem que morrer!”, “Essa coisa de mulher ficar abrindo asinha falando que dá na TV não ta certo! Mulher tem que saber se portar!” e (a melhor de todas) “Essa história de cigarro, cigarro... Catzo! Eu fumo desde os quinze anos e nunca tive problema! É burrice essa história de cigarro faz mal! Esses cientista fazem as pesquisa tudo errada, tudo tendenciosa! (falava Tio Paulão, esbanjando liberdade poética abolindo o plural)”. Essa última era a melhor de uma forma triste: era a única que eu teimava (da maneira mais branda possível) com meu tio. Gostava dele e foi muito ruim vê-lo sendo enterrado por conta de um infarto. Tio Paulão morreu e os churrascos na sua casa não são os mesmos. Paulinho não fuma, bebe Kronenbier, só gosta de carne bem passada e (principalmente) detesta discussões.
Tio Paulão se foi, mas me encontro com ele todos os dias. “Ei guri! Olha aqui! Olha esse safado aqui: foi pego roubando a casa de uma família! Ainda bem que o pessoal da “dê-pê” pegou o danado pulando o muro! O pessoal da “puliça” já deu um trato nele olha aqui!”, “Dá uma olha nisso aqui, filho! O sem-vergonha fez a menina de boba! Iludiu a menina! Se aproveitou dela! Engravidou ela e agora não quer assumir a criança!” e “Mas é uma sacanagem! A dona dá pra todo mundo... é uma safada... e agora quer que o pobre coitado pague a pensão do filho que ela nem sabe se é dele!”. Lá estão os novos Tios Paulões. Vestidos de camisa social e gravata (uniforme da firma do Tio Paulão), a nova geração propaga pela televisão “a vida como ela realmente é”... assim como meu Tio Paulão gostaria de poder fazer!
Certamente Tio Paulão era o típico reacionário casca-grossa (por mais que dissesse que era contra a ditadura) que se encontra em muitos churrascos, mesas de jantar ou salas de escritório. Um tipo comum, fruto de uma criação X e de uma educação X que não é mérito nosso julgarmos (lembre-se da máxima da tolerância?).
Mas a nova geração, não há como negar, pega pesado saindo da sua sala de jantar para a sala de jantar de um cidadão que sofre de uma carência de valores e de identificação. Pegam pesado também com um arsenal persuasivo que vão da fabricação de uma figura paternalista que às vezes beira o caudilho (não é de se espantar que muitos Tios Paulões saiam a vereador, deputado ou prefeito) até a encenação, alusão ou até difusão de imagens ou fatos chocantes e escabrosos. Esses programas são um misto de churrasco de família e show de aberrações!
O que fazer? Regulamentar uma espécie de censura e controlar o conteúdo desses programas? A palavra “censura”, mesmo em suas formas mais amenas, é motivo de pânico e alvoroço. Seria muito fácil (e legitimo até) expor os entusiastas de uma censura a esse tipo de programas advogando lugares-comuns (o que aliás está bastante presente no discurso dos Tios Paulões). De uma maneira torpe (e ao mesmo tempo singela até) os Tios Paulões utilizariam a máxima da tolerância. E estariam certos: coloca-los no banco dos réus é tomar o lado diametralmente oposto da corda, o lugar dos politicamente corretos fundamentalistas...
terça-feira, agosto 03, 2004
O mito da piñata
Em um galpão escuro estavam três homens: um executivo, um estudante universitário e um jornalista. Os três homens estavam munidos de pedaços de pau e sobre suas cabeças pairava uma piñata colorida, feita de papier-mâché e coberta de brocal, lantejoulas e todas aquelas coisas que as professoras de primário adoravam colocar em coisas com papier-mâché.
Não importava como era a piñata, afinal os três homens estavam vendados e embriagados de tequila (o estudante universitário ficou nesse estado apenas depois que tomou duas vezes a quantidade que o executivo e o jornalista tomaram juntos). Do jeito que estavam, poderia ter um céu de piñatas sobre suas cabeças que eles não notariam.
Trôpegos, levantavam seus pedaços de pau e davam golpes quase patéticos que geralmente apenas atingiam apenas a massa de ar que os rodeava (quando não acertavam acidentalmente uns aos outros). Depois de um tempo o executivo perguntou:
_ Alguém tem alguma noção de como arrebentar uma piñata?
_ Pô! Aí! Não sei cara... não sei nem o que é uma piñata! Pintei aqui só por conta da birita grátis! - respondeu o astuto estudante universitário
_ Pelo o que eu sei as piñatas são animais feitos de durepox. É uma expressão típica da cultura norueguesa, daí o fato de dentro dela haverem quibes! - respondeu eloqüentemente o jornalista.
Passaram mais algum tempo. O torpor da tequila já estava baixando, dando lugar a uma náusea banal. Apesar do incômodo enjôo os homens agora podiam ter um mínimo de senso de direção. Mesmo assim, suas tentativas de acertarem a piñata eram praticamente infrutíferas.
_ Meu Deus! Se pelo menos eu tivesse algum consultor, tudo seria mais fácil! Era só eu anotar tudo o que o consultor dissesse e fazer ao contrário!- reclamou o executivo
_ Putz, véi! Ah, nem! Mó cansera aí, ó! Caraí! - discursou efusivamente o estudante universitário
_ Acho que basta ficar andando em uma só direção até tocar a baqueta na piñata! - disse de maneira fria e calculista o jornalista. Pouco tempo depois acertou um golpe certeiro em algo. Era a cabeça do executivo.
O executivo levantou-se com uma grande dor de cabeça. Os outros dois ainda tentavam achar a piñata perdida na escuridão de suas vendas. O executivo, então cheio desta insólita situação, resolveu tirar a venda e acertar a piñata.
_ Acertei! Acertei! - gritou o executivo. Enchendo a mão com os mais diversos doces. Doces de todos os tipos: de goiaba, de marmelo e de batata doce. Doces embalados rusticamente em pedaços de palha, doces envoltos em celofane colorido e doces embalados em papel manteiga.
O universitário notou o que acontecera (afinal pensara em fazer a mesma coisa enquanto o executivo jazia inconsciente no chão do galpão), mas não protestou. Apenas pegou um doce da porção que havia dentro da piñata recém-quebrada, colocou na boca e se calou. (já havia entornado tantas garrafas de tequila que seria no mínimo insensato reclamar os doces do executivo!).
O jornalista deu os parabéns para o executivo e discursou sobre a falta de homens de visão que há neste vasto país. Pegou um doce e mordeu. Olhou de maneira confusa para os dois homens e exclamou:
_ Nossa! Nunca tinha visto quibe doce!
Em um galpão escuro estavam três homens: um executivo, um estudante universitário e um jornalista. Os três homens estavam munidos de pedaços de pau e sobre suas cabeças pairava uma piñata colorida, feita de papier-mâché e coberta de brocal, lantejoulas e todas aquelas coisas que as professoras de primário adoravam colocar em coisas com papier-mâché.
Não importava como era a piñata, afinal os três homens estavam vendados e embriagados de tequila (o estudante universitário ficou nesse estado apenas depois que tomou duas vezes a quantidade que o executivo e o jornalista tomaram juntos). Do jeito que estavam, poderia ter um céu de piñatas sobre suas cabeças que eles não notariam.
Trôpegos, levantavam seus pedaços de pau e davam golpes quase patéticos que geralmente apenas atingiam apenas a massa de ar que os rodeava (quando não acertavam acidentalmente uns aos outros). Depois de um tempo o executivo perguntou:
_ Alguém tem alguma noção de como arrebentar uma piñata?
_ Pô! Aí! Não sei cara... não sei nem o que é uma piñata! Pintei aqui só por conta da birita grátis! - respondeu o astuto estudante universitário
_ Pelo o que eu sei as piñatas são animais feitos de durepox. É uma expressão típica da cultura norueguesa, daí o fato de dentro dela haverem quibes! - respondeu eloqüentemente o jornalista.
Passaram mais algum tempo. O torpor da tequila já estava baixando, dando lugar a uma náusea banal. Apesar do incômodo enjôo os homens agora podiam ter um mínimo de senso de direção. Mesmo assim, suas tentativas de acertarem a piñata eram praticamente infrutíferas.
_ Meu Deus! Se pelo menos eu tivesse algum consultor, tudo seria mais fácil! Era só eu anotar tudo o que o consultor dissesse e fazer ao contrário!- reclamou o executivo
_ Putz, véi! Ah, nem! Mó cansera aí, ó! Caraí! - discursou efusivamente o estudante universitário
_ Acho que basta ficar andando em uma só direção até tocar a baqueta na piñata! - disse de maneira fria e calculista o jornalista. Pouco tempo depois acertou um golpe certeiro em algo. Era a cabeça do executivo.
O executivo levantou-se com uma grande dor de cabeça. Os outros dois ainda tentavam achar a piñata perdida na escuridão de suas vendas. O executivo, então cheio desta insólita situação, resolveu tirar a venda e acertar a piñata.
_ Acertei! Acertei! - gritou o executivo. Enchendo a mão com os mais diversos doces. Doces de todos os tipos: de goiaba, de marmelo e de batata doce. Doces embalados rusticamente em pedaços de palha, doces envoltos em celofane colorido e doces embalados em papel manteiga.
O universitário notou o que acontecera (afinal pensara em fazer a mesma coisa enquanto o executivo jazia inconsciente no chão do galpão), mas não protestou. Apenas pegou um doce da porção que havia dentro da piñata recém-quebrada, colocou na boca e se calou. (já havia entornado tantas garrafas de tequila que seria no mínimo insensato reclamar os doces do executivo!).
O jornalista deu os parabéns para o executivo e discursou sobre a falta de homens de visão que há neste vasto país. Pegou um doce e mordeu. Olhou de maneira confusa para os dois homens e exclamou:
_ Nossa! Nunca tinha visto quibe doce!
quarta-feira, junho 23, 2004
3 livros para botar a sua opção de habilitação em Comunicação Social em cheque (e mais 1 para fazer você ver o quanto a carreira acadêmica pode ser legal e você não precisa obrigatóriamente se tornar um professor tapado e frustrado)
Paraíso na Fumaça (Chris Simunek): Imagine que o jornalismo pode fugir da maldita rotina de redação. Imagine que você é pago para fazer matérias no mínimo divertidas em lugares incomuns e entrevistar pessoas no mínimo excêntricas. Chris Simunek é o editor de cultivo da High Times, uma revista voltada para a maconha e a cultura em torno da droga. O livro é divertidíssimo e não pense que se trata de uma versão literária do Planet Hemp: o livro passa bem longe do típico discurso à la D2. Simunek parece ser daquele tipo que possui um canivete na língua, as narrativas de suas experiências estão recheadas de insights sarcásticos. Nota: Simunek era originalmente professor de inglês em uma escola pública em Nova York, não tinha formação em jornalismo e foi contratado graças a um momento de sorte...
A Publicidade é um cadáver que nos sorri (Olivero Toscani): Estamos em um momento na publicidade onde a criação está sendo praticamente posta em segundo plano. Não em questão de escopo, mas em questão de desenvolvimento. A cada dia que passa as propagandas tendem para uma publicidade quase pavloviana. Temos quase que algoritmos para a mídia impressa (“o aproach fica aqui, o slogan ali, a chamada acolá...”) e o mesmo ocorre nas propagandas televisivas (jargõesinhos, apelos sexuais, visual demasiadamente acéptico...). Olivero Toscani ataca esta publicidade morna, burra e insossa tão em voga atualmente.
A Experiência do Cinema (Ismail Xavier): Trata-se de uma coletânea de textos de teóricos clássicos do cinema. Ismail Xavier coloca para os viajantes de primeira viagem textos de Hugo Mauerhofer Dziga Vertov, Hugo Munsterberg, Edgar Morin, André Bazin, Jean Epstein e muitos outros . O cinema é analisado pela suas técnicas, suas estéticas, suas habilidades poéticas e pela reação gerada pela sua fruição. “Ah! Mas isso é acadêmico e chato!”. Ah! Não gostou pega uma pilha de SET e vai ler...
Apocalípticos e Integrados (Umberto Eco): Um verdadeiro canivete suiço para quem se interessa por estética, cultura de massa, semiologia e principalmente estudos de cultura. Uma série de ensaios de Umberto Eco onde ele trata os assuntos praticamente como um advogado do diabo, botando na parede os típicos argumentos da intelectualidade acerca da cultura de massa e os lugares-comuns geralmente veiculados pela indústria cultural. Destaque para “A estrutura do mau gosto”.
Paraíso na Fumaça (Chris Simunek): Imagine que o jornalismo pode fugir da maldita rotina de redação. Imagine que você é pago para fazer matérias no mínimo divertidas em lugares incomuns e entrevistar pessoas no mínimo excêntricas. Chris Simunek é o editor de cultivo da High Times, uma revista voltada para a maconha e a cultura em torno da droga. O livro é divertidíssimo e não pense que se trata de uma versão literária do Planet Hemp: o livro passa bem longe do típico discurso à la D2. Simunek parece ser daquele tipo que possui um canivete na língua, as narrativas de suas experiências estão recheadas de insights sarcásticos. Nota: Simunek era originalmente professor de inglês em uma escola pública em Nova York, não tinha formação em jornalismo e foi contratado graças a um momento de sorte...
A Publicidade é um cadáver que nos sorri (Olivero Toscani): Estamos em um momento na publicidade onde a criação está sendo praticamente posta em segundo plano. Não em questão de escopo, mas em questão de desenvolvimento. A cada dia que passa as propagandas tendem para uma publicidade quase pavloviana. Temos quase que algoritmos para a mídia impressa (“o aproach fica aqui, o slogan ali, a chamada acolá...”) e o mesmo ocorre nas propagandas televisivas (jargõesinhos, apelos sexuais, visual demasiadamente acéptico...). Olivero Toscani ataca esta publicidade morna, burra e insossa tão em voga atualmente.
A Experiência do Cinema (Ismail Xavier): Trata-se de uma coletânea de textos de teóricos clássicos do cinema. Ismail Xavier coloca para os viajantes de primeira viagem textos de Hugo Mauerhofer Dziga Vertov, Hugo Munsterberg, Edgar Morin, André Bazin, Jean Epstein e muitos outros . O cinema é analisado pela suas técnicas, suas estéticas, suas habilidades poéticas e pela reação gerada pela sua fruição. “Ah! Mas isso é acadêmico e chato!”. Ah! Não gostou pega uma pilha de SET e vai ler...
Apocalípticos e Integrados (Umberto Eco): Um verdadeiro canivete suiço para quem se interessa por estética, cultura de massa, semiologia e principalmente estudos de cultura. Uma série de ensaios de Umberto Eco onde ele trata os assuntos praticamente como um advogado do diabo, botando na parede os típicos argumentos da intelectualidade acerca da cultura de massa e os lugares-comuns geralmente veiculados pela indústria cultural. Destaque para “A estrutura do mau gosto”.
terça-feira, junho 15, 2004
3 Filmes...
(não se trata de uma lista...)
"The Rules of atraction" (Roger Avery): Imagine uma típica comédia adolescente. Tire os momentos de humor pastelão, a piequice nojenta, o casal romântico "àgua com açucar" e a moral do final ("Dar valor aos amigos, à vida, à família, yadda-yadda-yadda..."). Coloque sarcasmo, ironia, ceticismo, cinismo e um olhar praticamente perverso. Imagine um filme com todos esses ingredientes montado de uma forma extremamente atemporal, subevertendo às vezes até os limites da narração psicológica. Um filme onde os próprios personagens satirizam a condição fútil e banal de suas existências.
"Alexander Nevsky" (Serguei Einsentein): Eisenstein é extremamente cultuado não só graças ao grande clássico "O encouraçado Potenkin" como também pelo seus diversos ensaios e trabalhos em que trata sobre cinema (em especial sobre a montagem). Talvez o seu trabalho mais vivo seja "O sentido do filme" e talvez o filme onde sua teoria se apresenta mais claramente é "Alexander Nevsky". Não se trata de um filme mudo, como seu trabalho mais famoso, e ao contrário de muitos que pecaram pela "tentação romanesca" (o uso indiscriminado e até desnecessário dos diálogos) Einsenstein fez um ótimo uso dos recursos sonoros. Esse filme dá uma idéia bastante clara da sintonia em que os elementos de um filme (enquadramento, som, atuação....) devem ter no decorrer do mesmo, dando ao filme a coesão necessária para que este se apresente como uma peça maciça. Destaque para a antológica cena da "Batalha no Gelo" (cena que aliás é literalmente destrinchada quadro-a-quadro em "O sentido do filme").
"Natural Born Killers" (Oliver Stone): Esse já é prata da casa. Um dos filmes que estão entre meus favoritíssimos. Oliver Stone dirigindo uma estória de Quentin Tarantino e com trilha sonora por Trent Reznor... precisa de mais alguma coisa? A defesa encerra!
(não se trata de uma lista...)
"The Rules of atraction" (Roger Avery): Imagine uma típica comédia adolescente. Tire os momentos de humor pastelão, a piequice nojenta, o casal romântico "àgua com açucar" e a moral do final ("Dar valor aos amigos, à vida, à família, yadda-yadda-yadda..."). Coloque sarcasmo, ironia, ceticismo, cinismo e um olhar praticamente perverso. Imagine um filme com todos esses ingredientes montado de uma forma extremamente atemporal, subevertendo às vezes até os limites da narração psicológica. Um filme onde os próprios personagens satirizam a condição fútil e banal de suas existências.
"Alexander Nevsky" (Serguei Einsentein): Eisenstein é extremamente cultuado não só graças ao grande clássico "O encouraçado Potenkin" como também pelo seus diversos ensaios e trabalhos em que trata sobre cinema (em especial sobre a montagem). Talvez o seu trabalho mais vivo seja "O sentido do filme" e talvez o filme onde sua teoria se apresenta mais claramente é "Alexander Nevsky". Não se trata de um filme mudo, como seu trabalho mais famoso, e ao contrário de muitos que pecaram pela "tentação romanesca" (o uso indiscriminado e até desnecessário dos diálogos) Einsenstein fez um ótimo uso dos recursos sonoros. Esse filme dá uma idéia bastante clara da sintonia em que os elementos de um filme (enquadramento, som, atuação....) devem ter no decorrer do mesmo, dando ao filme a coesão necessária para que este se apresente como uma peça maciça. Destaque para a antológica cena da "Batalha no Gelo" (cena que aliás é literalmente destrinchada quadro-a-quadro em "O sentido do filme").
"Natural Born Killers" (Oliver Stone): Esse já é prata da casa. Um dos filmes que estão entre meus favoritíssimos. Oliver Stone dirigindo uma estória de Quentin Tarantino e com trilha sonora por Trent Reznor... precisa de mais alguma coisa? A defesa encerra!
quinta-feira, junho 03, 2004
Das citações
Citações são as coisas que eu mais odeio em um texto. Logo que vejo uma citação já vejo 60% do crédito que o texto pode ter descendo pelo ralo.
É como se o narrador virasse para mim e falasse "Eu estou inseguro para provar o meu ponto de vista, então eu resolvi chamar esse "sr. Fodão" para me dar algum substrato. Você não vai discutir com o "sr. Fodão", vai?"
É um exemplo clássico de comportamento típico da cultura P.I.M.B.A. (Pseudo-intelectuais Metidos e Boçais Associados)... Mas mais P.I.M.B.A. é o fato de ainda se preocupar e procurar a maldita citação. "Eu procurei no Google, na biblioteca... Não achei essa maldita citação!". O "pesquisador" tira o escalpo do citante, que parte envergonhado (/quit).
Culpa das malditas agendas. Todo o dia ela abastece o repertório de milhares de "papagaios intelectuais" com sua quantidade diária de aforismos, versos e informações categóricas. É como se o China in Box vendesse como o Mc'Donalds e todos bilhetes de Biscoitos da Sorte fossem escritos por uma linha de produção composta por crianças superdotadas miseráveis de Singapura. Já pensou que seu surto de pretensão intelectual pode ser fruto do trabalho forçado de seres humanos que estão sacrificando sua infância por um prato de comida?
Você já é P.I.M.B.A., que custa ser politicamente correto?
Citações são as coisas que eu mais odeio em um texto. Logo que vejo uma citação já vejo 60% do crédito que o texto pode ter descendo pelo ralo.
É como se o narrador virasse para mim e falasse "Eu estou inseguro para provar o meu ponto de vista, então eu resolvi chamar esse "sr. Fodão" para me dar algum substrato. Você não vai discutir com o "sr. Fodão", vai?"
É um exemplo clássico de comportamento típico da cultura P.I.M.B.A. (Pseudo-intelectuais Metidos e Boçais Associados)... Mas mais P.I.M.B.A. é o fato de ainda se preocupar e procurar a maldita citação. "Eu procurei no Google, na biblioteca... Não achei essa maldita citação!". O "pesquisador" tira o escalpo do citante, que parte envergonhado (/quit).
Culpa das malditas agendas. Todo o dia ela abastece o repertório de milhares de "papagaios intelectuais" com sua quantidade diária de aforismos, versos e informações categóricas. É como se o China in Box vendesse como o Mc'Donalds e todos bilhetes de Biscoitos da Sorte fossem escritos por uma linha de produção composta por crianças superdotadas miseráveis de Singapura. Já pensou que seu surto de pretensão intelectual pode ser fruto do trabalho forçado de seres humanos que estão sacrificando sua infância por um prato de comida?
Você já é P.I.M.B.A., que custa ser politicamente correto?
segunda-feira, maio 17, 2004
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